As interferências causadas por redes elétricas

AS INTERFERÊNCIAS NAS REDES ELÉTRICAS

Por: Marcelo Toniolo dos Anjos (Osasco-SP)

Não pretendo discutir nesta matéria todos os tipos de interferências que afligem os DX-istas, pois elas são de uma variedade muito grande. Podemos sofrer interferências provenientes de automóveis, aparelhos eletro-eletrônicos (motores, aparelhos de TV, micro-computadores, geladeiras), lâmpadas, etc., mas o tipo de interferência que desejo abordar aqui é proveniente da rede elétrica quer passa sobre os postes, na rua, geralmente rede elétrica de alta tensão.

Há aproximadamente dois anos comecei a sofrer este tipo de interferência em meus equipamentos de Ondas Curtas e VHF, descobri a fonte do problema e quero compartilhar com os colegas como consegui resolvê-lo por completo.

Naquela ocasião, percebi que dia após dia um irritante ruído aparecia nas faixas de Ondas Curtas, principalmente após os 6 MHz e também na faixa de VHF. O ruído era contínuo (noite e dia) e semelhante ao som de uma abelha (Bzzzzzz) e mudava de tom aleatoriamente. Comecei a investigar o problema e descobri que não era problema da instalação elétrica de minha casa pois alimentei o receptor com bateria e desliguei a chave geral de energia da casa e o ruído permaneceu. Após algumas semanas, o ruído era tão intenso que os sinais mais fracos de estações de baixa potência (as verdadeiras estações DX) eram impossíveis de serem ouvidos. Algo interessante era de que quando chovia o ruído desaparecia. Após aproximadamente 30 minutos da chuva ter
cessado, o ruído voltava a aparecer. Outro detalhe é de que a imagem da TV aparecia com “chuviscos” exatamente no período da interferência.

Na certeza de que o ruído era proveniente da rede elétrica de alta tensão que passa em frente de casa, entrei em contato com a ELETROPAULO (empresa de energia elétrica do Estado de São Paulo) e após diversos contatos, alguns técnicos estiveram em casa para averiguar o problema e forma informados por mim de todas as suas características, inclusive verificando na prática a presença desta interferência em Ondas Curtas e VHF. Utilizando de alguns aparelhos de medição, estes técnicos descobriram algumas fontes do problema como:

* isoladores da rede elétrica com defeito dentro de um raio de aproximadamente 50 metros de minha residência (havia escape de energia elétrica através deles);
* problemas no isolamento do transformador de energia (que reduz a alta tensão para 110/220 Volts);
* objetos presos na rede elétrica de alta tensão como linhas de papagaio, arames (o que produz o chamado “efeito corona”, ou seja, a propagação de energia para o ar devido a uma superfície pontiaguda presa à linha de energia).

O trabalho não foi fácil e mobilizou diversos funcionários da ELETROPAULO por diversas vezes, eliminando cada fonte do problema a cada operação, até que depois de aproximadamente 2 semanas o ruído havia sido eliminado em 90%. Passado 1 mês o ruído cessou por completo e pude, então, voltar a monitorar as estações DX em Ondas Curtas.

Sei que muitos dos colegas tem problemas semelhantes pois já me escreveram descrevendo estes mesmos detalhes e características que apresentei acima. Tenho algumas sugestões que talvez possam ajudar:

1. Primeiramente verifique se o problema de interferência é na instalação elétrica de sua residência ou condomínio) ou fora dela;
2. Uma vez constatando que o problema é na rede elétrica da rua, entre em contato com a Companhia de Energia de sua cidade e lhes comunique o problema. Atenção: não use o telefone de emergência que normalmente é utilizado para avisar de problemas como falta de energia, etc. Telefone para a agência da companhia e tente falar com algum encarregado ou chefe do departamento de Interferências Radioelétricas. Somente este pessoal está habilitado a resolver este tipo de problema.
3. Lembre-se de que a solução deste problema não é um favor da companhia de energia, mas um dever deles.

Fontes

ARRL  – http://www.arrl.org

6- Efeito Corona

O efeito Corona é também conhecido como fogo de Santelmo. O efeito corona é um fenômeno relativamente comum em linhas de transmissão com sobrecarga. Devido ao campo elétrico muito intenso nas vizinhanças dos condutores, as partículas de ar que os envolvem tornam-se ionizadas e, como consequência, emitem luz quando da recombinação dos íons e dos elétrons.
Descargas elétricas em gases são geralmente iniciadas por um campo elétrico que acelera elétrons livres aí existentes. Quando esses elétrons adquirem energia suficiente do campo elétrico, podem produzir novos elétrons por choque com outros átomos. É o processo de ionização por impacto. Durante a sua aceleração no campo elétrico, cada elétron livre colide com átomos de oxigênio, nitrogênio e outros gases presentes, perdendo, nessa colisão, parte de sua energia cinética. Ocasionalmente um elétron pode atingir um átomo com força suficiente, de forma a excita-lo. Nessas condições, o átomo atingido passa a um estado de energia mais elevado. O estado orbital de um ou mais elétrons muda e o elétron que colidiu com o átomo perde parte de sua energia, para criar esse estado. Posteriormente, o átomo atingido pode reverter ao seu estado inicial, liberando o excesso de energia em forma de calor, luz, energia acústica e radiações eletromagnéticas. Um elétron pode igualmente colidir com um íon positivo, convertendo-o em átomo neutro. Esse processo, denominado recombinação, também libera excesso de energia.

Toda a energia liberada ou irradiada deve provir do campo elétrico da linha, portanto, do sistema alimentador, para o qual representa perda de energia, por conseguinte, prejuízo. Essas perdas e suas conseqüências econômicas tem sido objeto de pesquisas e estudos há mais de meio século, não obstante, só recentemente se alcançaram meios que permitem determinar, com razoável segurança, qual o desempenho que se poderá esperar para as diversas soluções possíveis para uma linha de transmissão, no que diz respeito a essas perdas. De um modo geral, elas se relacionam com a geometria dos condutores, tensões de operação, gradientes de potencial nas superfícies dos condutores e, principalmente, com as condições meteorológicas locais. Constatou-se, por exemplo, que as perdas por corona em linhas em tensões extra-elevadas podem variar de alguns quilowatts por quilômetro até algumas centenas de quilowatts por quilometro, sob condições adversas de chuva ou garoa. As perdas médias podem constituir apenas pequenas partes das perdas por efeito joule, porém as perdas máximas podem ter influencia significante nas demandas dos sistemas, pois a capacidade geradora para atender a essa demanda adicional deverá ser prevista ou a diferença de energia importada.